27 de janeiro de 2010

Verão, chuvas e trilhas

Crises de identidade à parte, não posso deixar de me comunicar com vocês.
Estou sempre acompanhando pelos jornais as notícias sul-americanas sobre as fortes chuvas e seus estragos nesse verão absurdamente quente. Mais de 30 dias seguidos de chuvas em São Paulo, quedas de barreiras em estradas da região sudeste, estragos em regiões mais pobres ou encostas, enfim, um drama que se  repete quase todo verão, e que nos sensibiliza enormemente.
Tenho visto também a situação da região de Machu Picchu, no Peru, onde milhares de pessoas estão sofrendo há alguns dias com as más condições do tempo e os consequentes problemas que estão transformando a  vida de turistas e moradores locais num verdadeiro pesadelo.
Fico imaginando como deve estar caótica a cidadezinha de Águas Calientes, próxima a Machu Picchu, onde 2 mil turistas esperam, reféns das chuvas de verão, uma chance para saírem dali. Falo em cidadezinha, porque Águas Calientes é uma titiquinha perdida no meio das montanhas, ponto de descanso dos andantes da trilha que leva à Machu Picchu, totalmente voltada para o turista que almeja ver a cidade perdida dos Incas. Toda a cidade está voltada para o mercado turístico (hotéis, albergues, restaurantes, agências de passeios, etc), o que não significa que seja uma grande metrópole equipada para milhares de turistas, mas pelo contrário, como quase todas as cidades do Peru (excetuo Lima, que é a capital), os meios de transporte, meios de comunicação com o mundo e aparatos tecnológicos são escassos, de difícil acesso ou sem mão-de-obra correlata.
Apesar do turismo em Machu Picchu ser intenso, não há grandes infra-estruturas próximas que possam facilitar ou agilizar a solução de problemas como esses que estão acontencendo no momento, pelo simples fato de que o Peru é um país pobre e porque qualquer atividade realizada entre milhares de montanhas de difícil acesso já é por si só um obstáculo.
Pelo o que lí, muitas pessoas estão dormindo na estação de trem e em casa de moradores locais. O que normalmente acontece, é que o turista deixa em seus hotéis em Cuzco, a maior parte de seus recursos financeiros e o resto de suas bagagens.e parte em direção a Machu Picchu, já que é um passeio que dura apenas 1 dia. Nesse caso, muitos turistas que agora são obrigados a ficarem dias e noites a mais em Águas Calientes,  já esgotaram suas reservas financeiras para alimentação e hospedagem.
Só para se ter uma idéia de como acessar o mundo externo nessa região pode ser um problema, quando estava na porta de entrada para a trilha em direção à Machu Picchu, tive um problema com a minha identificação, que não era compatível com o número do meu documento de identidade. O rapaz que fiscaliza os turistas disse que eu teria que andar uns 2 km para tentar achar um telefone público que ele não sabia se estava funcionando. Eu tinha que ligar para Cuzco, para a agência que tinha feito a reserva da trilha. Enfim, depois de 6 horas tentando resolver o problema, conseguí  iniciar a trilha,  bem atrás de todo o grupo, mas feliz da vida por estar alí!!


Fotinha para ilustrar esse meu momento histórico.

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