
Meu primeiro livro em Holandês não foi um dos mais interessantes, mas muito importante: o livro das regras de direção.
O segundo também não foi ainda nenhum romance consagrado, mas uma espécie de pocket book do autor Hans Kaldenbach chamado Doe Maar Gewoon (seja, haja normalmente).
O Livrinho tem 59 páginas (leiturinha rápida), com 99 tips (dicas úteis, necessárias) sobre a cultura, hábito ou mania típica dos holandeses.
Doe maar gewoon é um dos tópicos do livro, onde o autor diz que os holandeses gostam de agir normalmente, de parecerem normais, medianos. Não gostam de parecerem mais ricos ou especiais que os outros, por isso seus carros não chamam muito a atenção, suas roupas, jóias, e quando no trabalho alguém é considerado o funcionário do mês, ele será alvo de várias piadinhas e risadas...
Por traz das palavras percebí que o livro foi escrito principalmente para as pessoas que não tem uma cultura tipicamente ocidental e que de alguma maneira precisam estabelecer contatos com holandeses. Isso quer dizer que, para mim, muitas dessas dicas seriam absolutamente desnecessárias, como por exemplo o fato de apertar a mão de um holandês quando você é apresentado a ele ou o fato das relações afetivas serem baseadas no respeito, amor e entendimento. Muitas são claramente voltadas para as culturas árabes que se chocam com certos hábitos ocidentais.
Um dos tópicos que mais me chamou a atenção foi quando o autor diz da dificuldade dos holandeses em se divertirem. Para ele, parece que os holandeses acham que ter prazer, se divertir é ser menor, é culpável. Ele cita o fato de os holandeses não terem prazer em comer (para os holandeses quanto mais fácil e rápida for a refeição, melhor ela é), não usar roupas que chamem a atenção, a arquitetura séria, a maneira discreta (para não dizer sem graça) de festejarem, etc.
Segundo o autor, o movimento religiosos conhecido como Calvinismo, muito popular na França, Holanda e Inglaterra, seria um dos responsáveis por essa atitude digamos assim... discreta dos holandeses, uma vez que tal movimento modificou as relações que o homem tinha com as suas riquezas.
Meu pouco conhecimento sobre o tema foi suficiente para fazer essa associação e concluir mesmo que o Calvinismo pregava renovação de atitudes pelos cristãos, de modo que eles se aproximassem mais da figura simples e humilde de Jesus, e se distanciassem dessa Igreja soberba e capitalista.
O autor finaliza esse tópico com uma frase bem típica dos holandeses quando alguém fica fazendo festa por qualquer coisa: Het kan niet elke dag feest zijn! (Nem todo dia é dia de festa).
O interessante em ler um livro assim, é ter olhos de curioso mas principalmente de respeito. Claro que a maioria das dicas eu já tinha identificado na cultura holandesa antes de ler o livro, porque sempre achei importante ter esse olhar observador para entender melhor as pessoas e as atitudes dos holandeses. Sem comparações, julgamentos ou críticas, o importante ao se analisar uma cultura nova, é entender que a história e o passado de um povo refletem diretamente nas suas posturas e costumes atuais. Ninguém é culpado, certo ou errado. Somos todos diferentes mas iguais.
Livro recomendado especialmente para os iniciantes na língua holandesa.
Beijos!!
A frugalidade holandesa realmente está evidente em vários aspectos da sociedade. As festas de aniversários regadas a chá, café, torta e muita conversa, a simplicidade da culinária e a informalidade aos e vestir. Acho que tem muita influência do Calvinismo e a experiência das gerações que viveram as guerras também contribuiu para o despojado estilo de vida e o repúdio ao desperdício.
ResponderExcluirExcelente post!