12 de março de 2009

As assistentes


Já falei aqui um pouco sobre o funcionamento do sistema de saúde na Holanda.

Me referí ao huisarts, ou seja, o médico de família, que faz sempre o primeiro atendimento a qualquer sintoma que não seja emergência, e sempre (90% dos casos) ele será o da região onde você mora.

Confesso que quando escreví aquele post, meus sentimentos estavam exaltados e um pouco ainda presos ao nosso hábito no Brasil de que devemos ser tratados como reis em todos os lugares e todas as situações, o que significa que nossos desejos devem ser sempre atendidos.

O que me incomodava com essa história do sistema de saúde daqui, era o fato de que eu não podia escolher meu próprio médico (tem que ser aquele ligado a região onde você mora), e pelo fato de eu não ir direto ao um especialista (tenho sempre que passar pelo clínico geral, o huisarts).

Mas hoje, estou começando a ver as coisas sobre um outro prisma. Tive uma experiência que mudou um pouco minha maneira de pensar.

É que no outro post, eu não falei das assistentes. Ou Falei? Enfim, elas são uma espécie de filtro para chegar ao médico. Quando a gente liga para marcar uma consulta, elas atendem, encontram seus dados no computador do médico, e perguntam qual é o motivo da consulta. Aí você começa um diálogo com elas, explicando seu sintomas detalhadamente. Elas então fazem perguntas do tipo: desde quando você sente isso, como é a dor, etc. Aí, se for algo que elas possam resolver com alguma orientação ou medicação, elas mesmas indicam o procedimento ou remédio que você deve tomar. No meu caso, ela disse o nome do remédio, a maneira como eu deveria usar e me autorizou a passar na farmácia vinculada ao centro de saúde para pegá-lo.

Simplesmente isso.

Quando eu cheguei à farmácia, a farmacêutica já tinha lá no computdador a prescrição do remédio feita pela assistente, e eu apenas peguei a medicação.

Normalmente os centros de saúde tem uma farmácia vinculada a eles e aí os computadores são conectados ou vinculados uns aos outros. Bastou eu dizer que estava ali para apanhar uma medicação e a farmacêutica me encontrou nos dados do computador, verificando que havia uma prescrição para mim.

Também não precisei pagar porque a farmacêutica verificou que meu plano de saúde pagava aquele tipo de medicação, que custava 12 euros.

Vale ressaltar que a assistente só receita remédios ou dá orientações, quando os sintomas são considerados leves, como dores de garganta, gripes, dores de cabeça, crises de asma, dores musculares, vaginites, etc.

Moral da história: sem precisar marcar consulta, eu resolví meu problema e ajudei a resolver o problema dos centros de saúde, desafogando o número de consultas marcadas com os médicos.

O objetivo das assistentes é justamente esse: impedir que os centros de saúde fiquem sobrecarregados de consultas para casos simples, e que somente os casos de relevância sejam tratados diretamente com o médico.

Isso tudo parece muito diferente do Brasil, e quando cheguei aqui, esse sistema de saúde era motivo de grandes discussões pra mim.

Mas hoje vejo que, apesar dos problemas normais que o sistema de saúde enfrenta aqui, ele funciona muito bem e atende a toda população de maneira que considero eficiente. É uma questão de tentar ver com outros olhos uma realidade que para nós aí no Brasil seria a princípio difícil de se acostumar, mas que na verdade é muito democrática e organizada .

Certamente num país tão pequeno como a Holanda, essas coisas são mais fáceis de se administrar e organizar. Quem sabe se o sistema de saúde do Brasil fosse como o daqui as pessoas não morreriam em filas esperando atentimento, como lemos comumente nos jornais?

Mas como eu disse, geograficamente Holanda e Brasil são incomparáveis e por isso estou começando a ver com outros olhos esse tema, entendendo melhor essas diferenças, e felizmente, os resultados estão me agradando muito.

Muita saúde pra todos!

Fernanda.

3 comentários:

  1. Oi Fe, realmente as assistentes irritam bastante no inicio. Escrevi sobre isso tambem. ( http://bailandesa.blogspot.com/2008/04/arte-do-huisarts.html).
    Legal ver que temos as mesmas impressoes, apesar de ainda nao me adaptar totalmente com a filosofia holandesa de saude em geral. Como tudo na vida, tem seus aspectos positivos e negativos. Mas duas coisas nao podemos esquecer:

    1) Nao podemos comparar uma servico privado no Brasil com um sistema que aqui e' valido para todos.

    2) Independente de onde vc esteja, tudo depende de quem te atende. A pessoa do medico ou da assistente e muito importante.

    Belo post!
    beijo

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  2. Oi, Nanda
    Faz tempo q não mando um comentário pra vc. Sabe? Já escrevi alguns, mas na hora de enviar, por mais que tentasse, o comptr não atendia. Veio Heitor, e me alertou sobre alguns dados tecnológicos q eu não estava respeitando, por isso colocou-me nos trilhos. É isso aí, meninos. Olha, Nanda, como sempre, gosto de apreciar o seu notável progresso na arte de escrever. Sobre a sua primeira impressão do atendimento médico holandês, e já agora o seu novo entendimento, mais criterioso, me fizeram lembrar do grande ensinamento que fui obtendo desde o início das minhas atividades no DPF. Ali, de modo rotineiro, verificava que os resultados de um processo investigatório quase sempre não coincidiam com a "notitia criminis". Essa realidade prática constituía um grande e produtivo alerta para os cuidados necessários na persecução da verdade. Geralmente, as primeiras impressões estão sobrecarregadas de surpresas e exageros de sensibilidade, que obscurecem alguns detalhes frios e lógicos da realidade. Vc, agora, com a cabeça mais fria, percebeu os pormenores obscurecidos na primeira impressão do sistema moderno, racional e perfeitamente adequado a um país de cultura e espaço diferenciados do nosso. Considerando as origens, o espaço geográfico e a cultura ainda incipiente destes brasis continentais, dificilmente poderíamos imaginar os mesmos costumes, as mesmas regras de vivência, um mesmo sistema de atendimento médico existentes num país milenar, de cultura bastante sedimentada e espaço geográfico de fácil manipulação. Haja vista os nossos ingentes problemas amazônicos, de ampla complexidade e difícil administração. Mas, quem sabe, chegaremos a bom termo ao longo dos séculos vindouros...
    Estamos nos preparando para as comemorações de centenário de nascimento do saudoso Amilton, no dia 17 de abr., em Ilhéus.De acordo com os nossos planos, iremos eu, Mariana e Luiz, lá para o dia 16-04. Devo comparecer como representante da família Castro, por isso devo preparar uma mensagem alusiva para pronunciar no evento. Se não houver um incidente de percurso, estaremos lá. Vc já reiniciou seus estudos dessa lingua holandesa, que para nós é muitíssimo enrolada? Hoje, sábado, quase 18 horas, estamos aki eu, Mariana e Josélia, aguardando o próximo lanche: café com leite, biscoitos, beijus, pão e abacate diluído com leite no liquidificador. Este, uma delícia, a despeito do colesterol...
    Vcs aí, se não estão vagueando pelas lindas ruas de Utrecht, tomando uma cervejinha e se divertindo, talvez estejam em casa curtindo o lareis que o relógio de vcs já deve estar marcando 23 horas.
    Quem esteve aki passando uns dias foi o Nando, a Nicolle e o simpático Mattias, que nos deixaram um punhado de saudades. Todos nossos bisnetos são graciosos, mas esse Mattias é sensacional, simpático, risonho,não estranha ninguem, lindão!!! Don`t forget what I`ve always told you abt yr future - go ahead!!! Beijocas dos Vôs Clério e Mara

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  3. Querida Fe,

    Ticiana me deu o endereco do seu blog ontem e adorei ler e ver as fotos.

    Vejo que vc achou a felicidade ai na Holanda, estou super feliz por vc.

    Meu filho Jack nasceu no dia do seu aniversario, by the way Happy Birthday!!!

    Qndo puder me manda seu tel novamente e seu e-mail, gostaria muito de falar com vc. Eu tenho uma pagina no facebook se der p/ vc dar uma olhada.

    Aguardo anciosa a sua resposta!

    Beijos com saudades e carinho,
    Ju

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