29 de outubro de 2008

Cada um em seu devido lugar


Hoje de manhã, após olhar meu super termômetro infalível, ví que a temperatura dentro de casa estava 18 graus. Ok. Mas ao ver que a temperatura externa marcava nada mais, nada menos, que zero grau, pensei: hummm... ficar em casa é a melhor idéia!
Aí dei uma olhada Globo online, e ví uma matéria que me chamou a atenção: uma pesquisa americana constatou, que 25% das 2000 mulheres entrevistadas, deixam de trabalhar após o nascimento do filho. Foram entrevistadas mulheres dos Estados Unidos, Candadá e Suécia. Segundo o jornal, ficou concluído que essas mulheres não conseguiam conciliar o avanço em suas carreiras profissionais e a relação familiar.
Acho que essa questão, que milhares de mulheres enfrentam em suas vidas, será sempre atual e motivo para grandes debates. Afinal, trata-se de uma postura que varia conforme a mulher (mãe) e sua maneira de lidar com a família, com o trabalho, com a vida, se entrelaçam. Para mim, depende muito da educação que essa mulher teve e de seu ideal de vida feliz. Como essa mulher reage ao fato de ser mãe, como ela se sente com essa nova criaturinha em sua vida, como ela assume esse papel diante de si mesma.
Apesar de alguns países europeus enfrentarem o problema da baixa taxa de natalidade, como a Alemanha, onde as pessoas ganham uma ajuda financeira do governo para terem filhos, aqui na estamos longe de ter esse problema. Todos os casais querem ter filhos. São milhares e milhares de crianças por todos os lugares. Elas são extremamente valorizadas não só pelos pais, mas pela sociedade como um todo, e eu acho isso super bacana. Há uma cultura aqui de que os pais devem assumir o cuidado pelos seus filhos em todas as situações. Não tem essa de babá, avó, etc. Fez a criança, agora cria! E claro, não só as mães, mas os pais são super presentes e participantes nessa responsabilidade.
Tenho lido muito sobre essa postura emancipada dos homens holandeses. Eles fazem os serviços dométicos, cuidam de seus filhos, fazem o jantar, enfim, dividem legal (sem reclamar e até com prazer) essas tarefas com a esposa. Na verdade, existe para os homens, um enorme prazer em passar momentos com os filhos. Eles curtem muito brincar com as crianças, levar nos parques, e é muito normal ver nas ruas os pais sozinhos com os filhos (bebês), passeando, dando comidinha, brincando, e claro, trocando fraldas.
Um fator que ajuda muito essa participação ativa na vida dos filhos é a possibilidade de trabalho por 3 ou 4 vezes na semana aqui na Holanda. Quase todos os casais com filhos, tem empregos de 32 ou 24 horas por semana. Assim por exemplo, se a mãe trabalha apenas de segunda a quinta, ela fica com o filho na sexta, e se o pai trabalha de terça a sexta, ele fica com o filho na segunda. Nos outros três dias da semana (terça, quarta e quinta), o pequenino vai para a creche. Pelo que tenho sentido por aqui, se os pais resolvem trabalhar 40 horas semanais e deixam os pimpolhos todos os dias na creche, não é considerada essa uma postura muito legal, porque dá a impressão que os pais não valorizam tanto estar com seus filhos, ou seja, trabalhar todos os dias da semana quando se tem filhos, é considerada uma atitude meio estranha...
E o mais legal, é que não há, em geral, esse sentimento de culpa dos pais em ter que ir trabalhar e deixar o bebê na creche, que eu vejo muito frequente aí no Brasil. Os pais tem que trabalhar. Os filhos tem que se socializar, aprender, estudar. Há um sentimento natural de que assim é que deve ser. Ninguém sofre por colocar seu filho na escola ou creche, porque sabe que ali é o seu lugar, ali é que ele precisa estar. Por isso, a licença a maternidade aqui é de apenas 3 meses para as mulheres, e pasmem, não há licença para os homens. Para nós, parece quase um crime. Mas para os holandeses, não há nada de errado em o bebê ir para a creche aos três meses, e sua mãe voltar ao trabalho, pelo contrário, quanto mais cedo a criança aprender a se socializar, mais fácil será pra ela e para os pais, assim como mais cedo a mãe voltar para o trabalho, mais produtiva será sua vida profissional.
Diante de tantas questões, às vezes me pergunto: como será que vai ser comigo? Será que me sentirei tão "emancipada" assim?
Veremos, veremos!
Beijos grandes,
Fe.



2 comentários:

  1. fe querida! é sempre um prazer passar por aqui!
    olha, agora que sou mami (e tenho um marido que é suuuuper pai!), a minha vontade tb é de ficar em casa com a filhota e curtir todo segundo com ela. Eu não queria ter voltado a trabalhar, mas quero o meu salário!!!! rerererer! Enfim, encruzilhada da mulher moderna! Vc achará o seu caminho do meio na hora certa.

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  2. Aqui no Tribunal já está vigorando a licença-maternidade de 6 meses! Brinco com uma amiga que está grávida que, qdo ela voltar, a sua filhinha estará cheia de dentes! rs

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